SINOPSE: No Japão, um quarto dos homens com idade entre trinta e cinquenta anos nunca teve uma experiência sexual, o que representa mais de dois milhões de pessoas ... virgens! Estas são as vidas de oito deles, particularmente casos extremos, que são encenados nestes relatos do mangá. Vidas reais, entre sofrimento e desejos, esperança e orgulho, vergonha e humilhação pública ...
Com um olhar estranhamente terno e sem julgamento, mas também muito amargo sobre a sociedade, Sakuraichi revela sua intimidade, denunciando ao mesmo tempo toda a hipocrisia do sistema. Um sistema que usa pessoas, mata-as lentamente. Apesar de situações humanamente inaceitáveis, os autores recusam qualquer compromisso, e nos oferecem uma visão sem retoques de um Japão real. Vítimas e torturadoras ao mesmo tempo, não são as "virgens tardias" descritas nesta coleção, afinal, antes de mais nada o resultado dos excessos de uma sociedade desumanizada demais?
MINHA OPINIÃO: A primeira vista, o título pode causar uma impressão errada, já que há uma semelhança com o filme "O Virgem de 40 anos", com Steve Carrel. Mas não poderia haver engano maior, já que comédia passa longe daqui.Muito pelo contrário, as histórias/depoimentos (todos verdadeiros) narrados nesse mangá são extremamente depressivos e provocam riso, apenas de nervoso.
Ao todo, acompanhamos 8 virgens de meia-idade, cada um de um tipo específico. Suas mazelas, suas tristezas, e dificuldades em se relacionar com pessoas do sexo oposto e em alguns casos, até com pessoas do mesmo sexo. Os mais impressionantes foram o depoimento do ator pornô (sim, ator pornô e virgem) e do otaku de anime. Esse último, morando em um cubículo imundo, mal-cheiroso, simplesmente se conformou com a sua situação de ser apaixonado por um personagem de anime. Fiquei muito chocada pq temos aquela ideia de que o Japão é um lugar extremamente limpo, organizando e higiênico, mas há relatos de que alguns desses otaku param de tomar banho e escovar os dentes, chegando mesmo a perde-los, pela falta de limpeza.
É uma situação muito triste, principalmente pq alguns dos homens retratados tinham um grande potencial para se tornarem alguém na vida, com bons empregos e com famílias, inclusive um deles até revelou que ainda tinha o sonho de ser pai.Mas por diversas circunstâncias da vida, tudo degringolou.
Outro ponto interessante é como a profissão de curadoria de idosos é considerada um subemprego da pior espécie, para pessoas que não tem qualificação profissional ou mesmo ambição de algo melhor na vida. Isso me surpreendeu, pq sabendo da forma respeitosa que os japoneses tratam os idosos, seria lógico que as pessoas que cuidam deles em asilos, tivessem respeito da sociedade. Mas não é assim.
Apesar de ter gostado muito do mangá duas coisas não me agradaram. A primeira foi a total ausência de uma perspectiva feminina sobre os virgens de meia-idade, qual a opinião delas sobre o assunto. As mulheres são mostradas quase que como entidades divinas e distantes, vide a forma como são desenhadas,lindas, sensuais, beirando a perfeição.
E a outra coisa foi a forma que os próprios virgens foram retratados, como criaturas repulsivas e nojentas,sempre babando, ou com o nariz escorrendo, sujos e soltando gases toda hora. Digo isso, pq em duas histórias temos fotos dos personagens verdadeiros e nem de longe eles possuem a mesma imagem repugnante do mangá. Não entendi o motivo da tamanha descaracterização. E somente por isso não dou 5 estrelas.
De um modo geral eu adorei, mas não recomendo para pessoas que estejam em um momento mais frágil de suas vidas ou passando por depressão, pq te deixa muito pra baixo, inclusive tem um aviso de gatilho para suicídio e auto mutilação que foi um acerto da editora Pipoca & Nanquim. E por falar em editora, a edição do mangá está muito bem feita, principalmente na questão da abertura, que é bastante confortável. Mesmo o mangá sendo grosso, vc não precisa ter os músculos do Incrível Hulk pra conseguir abrir.
Recomendo fortemente a todos.
Cotação: 4/5
Virgem Depois dos 30
Autor: Atsuhiko Nakamura
Editora:Pipoca & Nanquim
Ano: 2019
Páginas: 244

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